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Existe cachaça fora do Brasil?

A cachaça expandiu as fronteiras e está recebendo o seu reconhecimento mundial. Mas será que os gringos bebem mesmo cachaça?

A cachaça carrega em sua identidade as raízes do Brasil e não é por menos. No texto “Você sabe a origem da cachaça?”, nós contamos a história de como a cana-de-açúcar chegou no Brasil e possibilitou a criação do primeiro destilado das Américas.

Atualmente, segundo o estudo lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento¹, a produção de cachaça está presente em 800 municípios brasileiros, tendo 951 empresas inscritas no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO), com mais de 3,5 mil produtos registrados como cachaça.

Dados da Secretaria de Defesa Agropecuária, 2019.

Além desses números tornarem a cachaça o destilado mais consumido no país, eles incentivam as destilarias a exportarem o produto para outros países. Segundo o Instituto Brasileiro de Cachaça, em 2018, a exportação da cachaça atingiu 8,4 milhões de litros, para mais de 60 países, sendo os Estados Unidos, Alemanha e Paraguai os seus maiores importadores.

Onde a cachaça é mais consumida fora do Brasil?

O Ministério do Turismo afirma que o turismo estrangeiro aumentou mais de 14% nos últimos quatro anos. Esse índice é uma das referências para o sucesso da nossa branquinha fora do país.

No Brasil, os turistas são surpreendidos pelo sabor incomparável da nossa famosa caipirinha. E, como a bebida agrada a todos, não seria estranho que ela logo quebrasse as fronteiras, atingindo mercados tanto na América como na Europa.

A exportação da cachaça atingiu 8,4 milhões de litros, para mais de 60 países.

Os Estados Unidos foi, em 2018, o maior importador da cachaça brasileira e incorporou o espírito brasileiro através de seus bares e pubs. Os mixólogos contam que não é apenas a caipirinha que faz sucesso nos bares, os drinks com cachaça têm ganhado cada vez mais espaço e se popularizando entre os norte-americanos.

Qualquer país pode fabricar a cachaça?

NÃO! E nós vamos te explicar o porquê.

Em todo o mundo existe o selo de Identificação Geográfica que, de acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, “é um ativo de propriedade industrial usado para identificar a origem de um determinado produto ou serviço, quando o local tenha se tornado conhecido, ou quando certa característica ou qualidade desse produto ou serviço se deva à sua origem geográfica”.

A cachaça possui o selo de Identificação Geográfica.

Isso significa que a região ou país que possui o selo, em algum produto ou serviço produzido no território, fica protegido contra a produção alternativa de seus produtos em outros países. Dessa forma, temos um produto único e que seu nome está associado ao seu local de produção. Outros produtos mundialmente conhecidos, também possuem o selo, como por exemplo: a Tequila, no México, e o Champagne, na França.

A cachaça também recebeu o seu selo de Identificação Geográfica e, assim, onde você estiver, ao beber uma cachaça, saberá que está apreciando uma bebida genuinamente brasileira.

A cachaça é do Brasil

No Decreto Presidencial nº 4.062, de 21 de dezembro de 2001, ficaram protegidas as expressões “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil”, restrito aos produtores estabelecidos no país, sendo a primeira Indicação Geográfica do Brasil.

Isso representa a genuinidade da nossa bebida, ou seja, só pode receber o nome Cachaça a aguardente de cana-de-açúcar produzida nas terras brasileiras, seguindo os padrões disposto em lei.

A exemplo de sua propagação e bons acordos, recentemente tivemos o reconhecimento do governo americano que, através do órgão “Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau”, aceitou o nome “cachaça” como uma marca de uso exclusivo para produtos fabricados no Brasil.

As raízes brasileiras são as responsáveis por carregar a história e cultura do Brasil.

É na representação de culturas que a história vive e até hoje caminha para garantir seu lugar no mundo. Temos um país com sua mistura de linguagem, criações únicas e com raízes profundas e devemos sempre lutar para que nossa identidade seja vista e respeitada.

Referências Bibliográficas

¹ Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A cachaça no Brasil: dados de registro de cachaças e aguardentes / Secretaria de Defesa Agropecuária. – Brasília: MAPA/AECE, 2019.
Silva, Jairo Martins da. Cachaça: história, gastronomia e turismo. São Paulo: Editora Senac de São Paulo, 2018.

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